A televisão acaba de anunciar. Não há mais como esconder, tudo estará acabado em aproximadamente cinqüenta minutos. Não há mais necessidade de publicidade, os principais canais estão veiculando o que querem, como querem, do jeito que querem. Mudei de canal, e lá estava minha atriz predileta, aquela gostosa fazendo sexo grupal com toda a equipe técnica e chamando um diretor, de que não me lembro o nome, de viadinho e de escroto. Mudo o canal e vejo o Obina convocando todos os rubro-negros para se encontrarem em frente ao Maracanã, e ainda chamando todos os torcedores dos outros times a finalmente admitirem que o Flamengo sempre foi o melhor! Convoca a todos para o jogo final. Flamengo X Flamengo, porque só isso é o que importa! No canal seguinte, líderes de segmentos religiosos diversos chorando copiosamente, pedindo perdão por tudo o que fizeram e, claro, deixaram de fazer. No último canal, antes de desligar, pude ver Paulinho Moska, chapado, com seu violão, olhando para o infinito. Claro, a música que ele cantava era “Ultimo dia”.
E eu? Eu vou invadir alguma drogaria, para conseguir Viagra, porque finalmente a filha da minha vizinha, que eu sempre azarei, está aqui à porta. Mas temo que não funcione nos últimos minutos de existência.






